Sobre os clichês da vida

Hello! Long time no see, huh?

Eu estava dando uma limpa na minha caixa de emails e lembrei-me de uma história a cerca desta foto. Enviei-a a um concurso (que não ganhei), mas relendo a história, achei que seria interessante publicar aqui também. Sobre os clichês da vida e o quão interessante pode ser entregar-se a eles.

Recentemente eu aprendi que clichê também é legal! Eu com essa mania louca de aquariana (dizem, hehe), querendo sempre fazer tudo diferente, queimar largada, ser a piorneira e tal, as vezes não paro pra fazer as coisas que todo mundo faz, sabe?!  Essa é a foto mais clichê do mundo, né?! Tipo, eu não queria uma foto posada em frente a Torre Eiffel tirada da Trocadéro. TODO MUNDO FAZ ISSO. Então meu namorido lindo que eu amo quase nada ( quase 15 anos de namoro, só) pegou a minha câmera e pediu pra tirar uma foto da torre, “só da Torre” – ele reforçou, com a minha câmera. Eu olhando pra ele (que é uma das pessoas que eu mais amo no mundo. Aliás, é a minha pessoa no mundo), com a minha câmera (que é uma das “coisas” que eu mais amo  no mundo), em Paris (que é o meu lugar no mundo), num dia de calor no meio do inverno (essa foto foi em março, e foi um dia de calor no meio do finzinho de inverno, no dia seguinte fechou o tempo de novo). Sabe quando te dizem que a felicidade não existe, apenas momentos felizes? Aquele foi um grande momento feliz, um daqueles momentos em que toda a sua existência faz sentido. Eu ri, um riso que vinha de dentro. Eu queria que aquele momento fosse congelado pra sempre. Lembro até hoje o que eu estava sentindo naquela hora. Depois disso fizemos as fotos que eu queria (que não eram clichês, rs). Aí, quando cheguei no hotel, a noite, vi essa foto. O malandrinho tirou uma foto minha, como eu não queria, sem eu perceber. E é uma das fotos que eu mais amo no mundo. Meu olhar irradia emoção. É aquela foto tirada de coração com coração. Ele captou toda minha felicidade, toda minha alegria, todo meu amor e, porque não, toda minha beleza. Sem eu perceber.

Trocadéro

Um brinde aos clichês da vida e o quanto eles nos fazem felizes!

 

 

Publicado em crônicas, fotografia, pessoal, viagens | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

Ressaca, Roupa Nova e o Escondidinho de Bacalhau

Acho que já fazia uns 3 meses que eu tinha um bacalhau no freezer e o Rodrigo sempre me zoando que aquilo iria fazer aniversário lá. E foi ele quem comprou pra gente fazer alguma coisa legal, então já viu né?!

Como as meninas estariam na sogra, resolvi que o peixe seria consumido no domingo (já que minhas filhas tem a frescura de não comer bacalhau). Então o coloquei para descongelar na parte de baixo da geladeira, no sábado a tarde.

Ainda não sabia exatamente o que eu ia preparar, só sabia que eu não queria uma bacalhoada ou bolinho de bacalhau, eu queria algo “estupendo”…

Só que sábado acabei indo pra noitada com a Eliete, tinha show do Roupa Nova no Luso e a gente tava muito a fim de ir, e seriamos só nós duas, já que o Cris estaria trabalhando e o Rodrigo não fazia questão. E além disso, eles também costumam ir a alguns shows sem nossa ilustre presença, inclusive semana que vem tem CJ Ramone e as girls ficarão em casa cuidando das crianças.

 Aliás, o show do Roupa Nova foi sensacional, fala aí Eli!

Acontece que tomamos um punhado de chopp e o domingo amanheceu meio cinzento e embaçado, e muito barulhento dentro da minha cabeça…mas eu tinha aquele bacalhau descongelado para usar de qualquer maneira.

Fui pesquisar na Web alguma coisa pra me dar inspiração. Achei uma receitinha que me agradou e pedi pro Rodrigo ir ao supermercado comprar alguns itens: alho poro e mandioquinha. Ah! E uma Schwepps Citrus, please!

Fui pra cozinha e coloquei a mandioquinha pra cozinhar – a primeira ideia era fazer um purê, refogar o bacalhau e, como eu tinha shitake na geladeira, dar uma salteada nos cogumelos e fritar o alho poro, depois fazer uma montagem bonitinha e comer… Mas, quando eu coloquei as mandioquinhas na água veio um estalo: “que tal fazer um escondidinho de bacalhau?”

E foi isso que eu fiz.

Depois de alguns copos de Schwepps…

Piquei um talo de alho poró, refoguei com cebola e azeite, juntei o bacalhau, uns 5 tomates cereja picados ao meio, uma colher de extrato de tomate, cebolinha verde picadinha, temperei com uma pitadinha de curry, ralei um pouquinho de noz moscada, pimenta-do-reino e pimenta calabresa, porque eu queria uma certa ardência. Não coloquei sal porque não precisou (o sal do bacalhau foi suficiente).

Enquanto o molho de bacalhau apurava eu piquei uns 4 shitakes frescos e refoguei na frigideira com manteiga sem sal e cebolinha verde, joguei um pouquinho de shoyu e flambei com cachaça 3 jotas.

Quando o molho do bacalhau já estava no ponto, coloquei meia lata de creme de leite e deixei dar mais uma apuradinha, coisa de 3 minutos.

Depois que a mandioquinha cozinhou, passei pelo espremedor e fiz um purê com manteiga sem sal, ervas aromáticas secas (sálvia, manjericão, tomilho), noz moscada, sal e creme de leite.

Em um refratário coloquei a metade do purê (usei mais ou menos uns 600g de mandioquinha), depois o molho de bacalhau (usei 500g do peixe dessalgado e desfiado), os shitakes, 4 fatias de mussarela, algumas bolinhas de cream cheese e depois cobri com o resto do purê.

Levei ao forno pré-aquecido até o purê ficar douradinho por cima e o caldinho estar borbulhando nas laterais.

E consegui um prato estupendo.

Ah! Servi com salada de folhas verdes, mas acho que um arroz branco também cairia muito bem.

 

PS1: Não tô conseguindo baixar as fotos…

PS2: Hoje o Blog faz um ano!!!!! :)

PS3: Agora as fotos :)))

20140817_152559

20140817_152629

Publicado em amigos, comida, cozinha | Marcado com , , | 2 Comentários

Antes dos 33

jardimdababilonia antes dos 33

Ainda falta um bocado pro meu aniversário, mas achei prudente fazer uma lista de coisas (possíveis e nem tão possíveis assim) que gostaria de fazer da minha vida antes dos 33. Pode parecer bobeira, mas sinto que quanto mais a gente externa coisas que gostaria muito de fazer, maiores são as chances delas acontecerem. Não me perguntem o porquê. Talvez a gente memorize melhor e trabalhe mais pra que elas aconteçam, não sei. Fato é que é importante escrever, pelo menos pra mim. E, como quem estipula metas também estipula prazos, essas são algumas das coisas que eu gostaria que acontecessem na minha vida antes dos 33.

- Viajar para a África (e fazer algum trabalho voluntário por lá);

- Estudar médio e grande formato e fotografia criativa;

- Aprender a desenhar decentemente (alô, Gabi);

- Voltar a minha média de 1 livro por semana (que não durou nem um mês esse ano);

- Desenterrar meus livros de marketing e começar a trabalhar a meu favor;

- Ir na academia todos os dias, disciplinadamente e perder aqueles quilinhos extras que tanto me incomodam;

- Voltar a fazer aulas de tênis e APRENDER A SACAR (Maria, eu te entendo);

- Voltar para as aulas de francês, ir pra Paris e conseguir falar uma frase inteira sem apelar pro inglês;

- Viajar, viajar, viajar e viajar. Apenas viajar.

Por hora essa é a minha lista. E você? Tem alguma meta ou lista de metas a realizar antes do próximo aniversário (ou dentro de algum outro prazo)? Me conta.

Publicado em analógica, fotografia, pessoal | Marcado com , , , , , , | 2 Comentários

Um dia bom

Aniversário da afilhada. Massa caseira. Família e amigos queridos reunidos. Fotografia analógica.

Tudo em um único post.

Massa da Sabrina, deliciosamente deliciosa

theanalogjourney home made pasta 1theanalogjourney home made pasta 2theanalogjourney home made pasta 3

Amigo/irmão e namorado lindo.

jardimdababilonia cris e marcelo

Irmão de sangue, alma e, se houver, outras vidas. Antes, agora e depois. Sofrendo com Flamengo e Federer e ouvindo sempre boa música. Criando e matando blogs desde 2002.

jardimdababilonia rover

Gatos all over the place

theanalogjourney cats 1 theanalogjourney cats 2 theanalogjourney cats 3

Parabéns pra menina do olhar doce

jardimdababilonia alice

Olhinhos fechados pra fazer o pedido

jardimdababilonia alice 2

Em suma: um dia bom. Por uma vida com mais dias como esse.

 

 

Publicado em amigos, analógica, comida, fotografia, nós | Marcado com , , , , , , , , , , , | 3 Comentários

Caxambu

Ha alguns meses atrás eu compartilhei fotos da minha ida a São Lourenço, no Parque das Águas. Pois neste feriado tive a chance de ir em outra cidade deste Circuito. Desta vez passei uma tarde agradável em Caxambu. Os parques são bem parecidos. O de São Lourenço me pareceu maior, o de Caxambu mais bonito. O de Caxambu também tem mais fontes e um geiser (que me parece meio fabricado, já que tem hora pra “funcionar”: as 10:30, apenas.). O ponto positivo de São Lourenço vai pras comprinhas: O queijo de lá era melhor e o bonus triplo vai pro Doce de Leite da Vovó, também conhecido como o melhor doce de leite de todos os tempos. Caxambu leva uma estrelinha pelo Churros maravilhoso na saída do parque.

Você vê que realmente quando se trata de Minas tudo sempre vale a pena. <3

Dito isso, vamos às fotos!

Saímos de SJC com o céu bem fechado e já na estrada começou uma chuvinha chaaaata.

JardimdaBabilonia Caxambu 01

Na altura de Cruzeiro o tempo ainda estava fechado.

JardimdaBabilonia Caxambu 02

Mas foi só passar pro estado de Minas, que o tempo ficou lindo…

JardimdaBabilonia Caxambu 03

Fuleco nos recebeu em Caxambu, haha.

JardimdaBabilonia Caxambu 04Lá no Parque muitos detalhes bonitos

JardimdaBabilonia Caxambu 05 JardimdaBabilonia Caxambu 06 JardimdaBabilonia Caxambu 07 JardimdaBabilonia Caxambu 08 JardimdaBabilonia Caxambu 09 JardimdaBabilonia Caxambu 10 JardimdaBabilonia Caxambu 11 JardimdaBabilonia Caxambu 12 JardimdaBabilonia Caxambu 13 JardimdaBabilonia Caxambu 14 JardimdaBabilonia Caxambu 15 JardimdaBabilonia Caxambu 16 JardimdaBabilonia Caxambu 17 JardimdaBabilonia Caxambu 18 JardimdaBabilonia Caxambu 19 JardimdaBabilonia Caxambu 20 JardimdaBabilonia Caxambu 21 JardimdaBabilonia Caxambu 22 JardimdaBabilonia Caxambu 23 JardimdaBabilonia Caxambu 24 JardimdaBabilonia Caxambu 25 JardimdaBabilonia Caxambu 26 JardimdaBabilonia Caxambu 27 JardimdaBabilonia Caxambu 28 JardimdaBabilonia Caxambu 29 JardimdaBabilonia Caxambu 30 JardimdaBabilonia Caxambu 31 JardimdaBabilonia Caxambu 32 JardimdaBabilonia Caxambu 33 JardimdaBabilonia Caxambu 34 Enfim, reafirmando: vale a visita, sempre.

Publicado em fotografia, viagens | Marcado com , , | Deixe um comentário

O Abacate

abacate

Quando eu era criança, ali pelos 10-11 anos, meu pai trabalhava a noite e dormia durante o dia. Como ele acordava por volta das 4 horas da tarde (um horário meio ingrato para almoçar, não se acorda com vontade de comer arroz, feijão, bife – pelo menos não aqui no Brasil)… Ele sempre fazia uma vitamina. Banana, mamão, maçã, goiaba, abacate. Eu costumeiramente o acompanhava.

Minha preferida era a de abacate. Cremosa, docinha, suculenta.

Durante longos anos ouvi dizer que o abacate era uma fruta perigosa, muito calórica e gordurosa. Melhor evitar…

Que nada!

Hoje sabemos que o abacate é um fruto muito nutritivo e rico em vitaminas. Não deixa de ser calórico, mas nada de mais se consumido com moderação, e quanto a sua gordura, ela é monoinsaturada, então é do bem!

Aqui no Brasil o abacate é sempre associado à sobremesa ou algo doce. Nos países como Chile, México, Argentina, o abacate é consumido como um alimento salgado. Ele aparece em saladas, sanduiches, petiscos, patês.

Num primeiro momento pode-se achar estranha essa combinação salgada, mas depois de provar, a gente percebe que o negócio fica bom mesmo…

Então, vamos de abacate “salgado”!

Abacate assado com ovo e queijo:

Corte um abacate maduro no sentido do comprimento e retire o miolo, quebre um ovo no centro, tempere com sal e pimenta, cubra com queijo e leve para assar… miam!

 abacate com ovo

 

Receitinha deste blog: http://caroldaemon.blogspot.com.br/2009/10/abacate-as-receitas-mais-faceis.html

No lugar da maionese no seu lanche preferido:

Eu fiz outro dia um lanchinho com hambúrguer caseiro, folhas variadas, pão de hambúrguer integral e no lugar da maionese usei abacate. Ficou delicioso! Às vezes é difícil acreditar que vai ficar bom com carne e salada, mas o resultado é incrível, vale à pena provar.

 (não tenho a fotinha dele…) :(

 A tradicional Guacamole:

guacamole

É bem fácil.

Você vai precisar de um abacate maduro, tomate picadinho, cebola picadinha, cheiro verde, sal, azeite, limão e muita pimenta.

Comece amassando o abacate com um garfo até virar uma papinha, acrescente o tomate, a cebola, o cheiro verde e tempere com sal, azeite, suco de um limão e pimenta à vontade. Eu costumo usar molho de pimenta tabasco e um pouco de chili, misture tudo com uma colher e está pronto. Sirva com nachos ou torradinhas se preferir.

Algumas pessoas costumam acrescentar pimentão verde e vermelho picados, mas eu não gosto muito. Se quiser acrescentar, tire a casca, senão fica amargo.

O AVOCADO

AvocadoPhoto

Ele é uma variação do abacate.

Tem a casca escura, mais grossa e costuma ser menor que o abacate que conhecemos.

É originário do México e atualmente vem sendo produzido em larga escala na Califórnia.

Ele é rico em vitaminas e sais minerais, além de ácidos graxos que ajudam a combater o “mau” colesterol. A principal diferença entre ele e o abacate é a quantidade calórica: ele contém 10% menos.

Não importa se você vai preferir o abacate ou o avocado. O importante é saber que o mito foi quebrado, e que os dois são muito nutritivos, saborosos e extremamente saudáveis. Além disso, são versáteis: podem ser consumidos puro, com iogurte, leite, no lanche, na salada, no pão, dip…e por aí vai.

Enjoy!

Publicado em cozinha | Marcado com , , , | 4 Comentários

Por aí

Eu ando meio ausente do blog em parte por excesso de trabalho (which is a good thing) e em parte por falta de vontade de blogar mesmo. Quando fico muito mau humorada, acabo ficando quietinha no meu canto. Prefiro ficar quieta a virar (de novo) a mimizenta da internet. haha.

Tenho lido muito mais do que escrito nesses últimos tempos. E nem é por preguiça. Só sinto que com tanta informação relevante e de qualidade, não tem necessidade de escrever mais do mesmo, certo?

Alguns blogs estão ganhando minha visita diária e é sobre eles que queria falar com vcs.

Square Moon Sun – sobre vida e fotografia analógica. A Frances, a dona do espaço mora nos EUA e divide seus experimentos analógicos com a gente em meio a pensamentos aleatórios sobre a vida. É novo, mas a moça é super talentosa e eu adoro as imagens dela.

For The Easily Distracted – também sobre vida e fotografia analógica. O que me fascina tanto nela quanto na Frances é o quão valorizado é o processo em si, muito mais do que o resultado. A aventura está ali. Lembra da máxima de que não importa o destino e sim o caminho? Enfim, a dona deste blog é a Rhiane e ela mora na Inglaterra, então espere paisagens de chorar de tão lindas, lá da terra da Rainha.

Zoo Payne – fotógrafa norueguesa especializada em grávidas e partos. Aqui ela conta um pouco do dia-a-dia da família Payne em uma fazenda no interior da Noruega. Todo dia me pego querendo fazer as malas, mudar pra lá e começar a plantar meus legumes e ordenhar as vaquinhas e etc e tal.

Paris In Four Months – fotógrafa sueca que mora em Paris. Precisa falar mais?

Hjartesmil – fotógrafa norueguesa morando em Londres. Também acho que não preciso falar muito mais, né?! O dia-a-dia em Londres, os amigos, a rotina, os lugares novos. Tudo com esse olhar escandinavo que a gente adora.

This Analog Adventure – encontrei esse blog por acaso ao pesquisar por nomes para um projeto (que anda engavetado). É uma canadense (mora em Ottawa) que divide seu amor por fotografia analógica e moda. Fotografias bonitas e descomplicadas.

E é isso… por hora esses são os endereços que moram nos meus favoritos aqui.

E vcs? Alguma sugestão?

Publicado em analógica, blog, fotografia | 1 comentário

Erros e acertos

Dia desses eu tive a brilhante idéia de pegar uma camera que tem aqui em casa e testá-la. Eu me lembro do meu pai reclamando dela e substituindo-a por uma Yashica (que foi meu presente de 9º aniversário). Nunca soube o porque, mas resolvi colocar um filme e descobrir. A camera em questão é a Olympus Pen EES, que faz meio frame por clique, o que significa que um filme de 36 poses transforma-se em 72. Como não amá-la?! Mas aí eu pude ver o que a ação do tempo faz com uma camera dessa. Vale dizer que ela ficou jogada por aqui até eu redescobri-la. Tem fungos e MUITA poeira na lente. Além disso a cortina do obturador está “pegando”, então alguns cliques ficaram super expostos, tremidos e borrados. Já vi essa mesma Olympus Pen em bom estado de conservação e sei que ela ainda bate muitos modelos  mais recentes. Esse é o bom da fotografia analógica: se você cuidar bem (o que não foi o caso aqui em casa) pode ter uma mesma camera pra vida inteira e por outras vidas.  

O mais curioso é que, por mais que as fotos não tenham ficado perfeitas, eu gostei do resultado mais “artístico”. O valor sentimental da camera passou pros cliques. É bom errar de vez em quando também. A liberdade de errar, digerir o erro, aprender com ele, e passar para o próximo rolo.

Thais Cavalcanti OP 01 Thais Cavalcanti OP 02 Thais Cavalcanti OP 03 Thais Cavalcanti OP 04 Thais Cavalcanti OP 05 Thais Cavalcanti OP 06 Thais Cavalcanti OP 07 Thais Cavalcanti OP 08 Thais Cavalcanti OP 09 Thais Cavalcanti OP 10 Thais Cavalcanti OP 11 Thais Cavalcanti OP 12

Publicado em analógica, artes, crônicas, fotografia, viagens | Marcado com , , , , | 2 Comentários

Da saudade

_DSC2848

Hoje eu comi caja-manga. Dito assim, parece um fato comum, corriqueiro, típico da geração atual que posta qualquer coisa na internet na esperança de ganhar uns likes e num egocentrismo sem precedentes de achar que tal informação possa ser útil para todos os seus 937 amigos. Mas não. Comer um caja-manga foi uma situação longe do comum. Basta dizer que a última vez que comi foi há não menos que dez anos atrás, colhidos do pé, no quintal da casa da minha avó. Nunca tive coragem de comer outro caja-manga porque sempre o associei com conforto, colo e carinho. Hoje, voltando do banco, avistei um carrinho cheio deles. Meu coração apertou e eu me senti na obrigação de compra-los. Afobada, cheguei em casa e corri para a pia, descascando avidamente. Na primeira mordida, a primeira lágrima. Fecho o olho e lembro de tudo. Do meu galho. De passar a tarde olhando o vai e vem da rua, de vovó aparando a goiabeira, do cheiro do café da tarde, da casa de marimbondo lá do alto. Outra mordida e o cheiro da cozinha lotada de caja-manga, a pia cheia de louça, o quartinho de costura cheio de linha pelo chão, as caixas de botão, o barulho da máquina de costura, a gargalhada gostosa. E mais outra mordida, me lembro de quando ela me deixou comer 8 mamões e eu tive a maior dor de barriga da minha vida, das conversas antes de dormir, do telefone azul barulhento, da água de colônia azul que eu usava “escondida” (como se ela não percebesse).

Já quase no final, os espinhos começam a entrar por entre os dentes e eu me lembro da vó mandando a gente limpar. E, sei lá bem porque, me lembrei da sensação de conforto absoluto que eu tinha quando assistia tv no colo dela. Eu sempre fui a netinha da vovó. Morando do lado da casa dela, dormia lá dia sim e outro também. Na noite que meu pai morreu eu estava lá, com ela. Depois disso me afastei um pouco, talvez por remorso. E talvez ela tenha morrido sem saber o quanto a amava e admirava. O quanto aquela gargalhada me fazia feliz.

E assim a última lágrima escorreu, enxuguei com o punho, joguei o caroço no lixo e me olhei no espelho. A netinha da vovó está gorda, cheia de rugas e um pouco maltratada pela vida. A sensação de que tudo passa tão rápido. Talvez por isso eu tenha escolhido a minha profissão. Registrar essa correria é a minha maneira de fazer o tempo parar. E se eu pudesse fazer o tempo parar, o faria naquela casa, da Rua Cruzália 571, em cima daquele pé de caja-manga, onde eu fui tão feliz.

Publicado em pessoal | Marcado com , , , , | 3 Comentários

Um jardim sonoro pra todos nós

soundgarden-lollapalooza-ricardo-m-16

Vim trabalhar com a camiseta do Lollapalooza (sim, eu fui) e uma aluna veio falar comigo: “que da hora, você foi!”. Sim, fui. “E foi legal?” Olha, fui pra ver o Soundgarden e foi maravilhoso. “Quem?” Soundgarden, baby. Som de velho, dinossauro. “Ah, conheço não.” Deveria, são bons. Você foi? “Não, mas queria ver o Arcade Fire e o Muse”. Muse foi no outro dia, Arcade Fire não fiz questão. Fui ver o New Order, mas eu tava tão extasiado pelo Soundgarden que preferi voltar pro buso. “Queria ter visto o Vampire Weekend, todas as minhas amigas adoram”. Ah…

Vampire my ass. Yeeeeeeeeeeeeeeaaaaaaaaaahhhhh!

Com a idade, a gente vai selecionando as polêmicas que entra. Não por perder o gosto, mas por falta de saco pra discutir com quem não vai além da opinião pura e simples. Gosto de argumentos, mesmo quando contra os meus. Acredito no poder edificante da boa e honesta discussão.

Mas Vampire Weekend não dá. Mesmo, de verdade.

A banda é um lixo. L-I-X-O. É um “Palavra Cantada”, só que ruim, cantado em inglês por um sósia do Gabriel Chalita. É muito, mas muito ruim. Sem pegada, umas harmonias toscamente primárias, bandeca indie do pior tipo. Mas o êxtase do público com esses caras era inacreditável. Meninas e meninos berrando, chamando os caras, mostrando cartazes, cantando em uníssono, foi um dos piores pesadelos da minha vida. Notem, eu gosto de muita coisa tosca, muita coisa ruim mesmo… Mas sem afundar na pretensão, minha gente! Esses caras vão salvar o rock? Estamos perdidos… O Rock é coisa de velho, já falei isso aqui mesmo no blog.

Grande hit do Vampire Weekend, pena não terem tocado…

O show do Soundgarden provou isso – não pelo público, tinha muito garoto batendo cabeça ali com a gente. Mas pela abordagem old school: sem frescura pra atrair público, sem jogadinhas de marketing pra postar fotinha. Muito barulho, muita distorção e muita precisão. Guitarras altas, baixo pulsante, bateria na cara e o vocal conduzindo a multidão. Os caras destruíram, saí de lá com o ouvido zunindo que era uma beleza. Sem telão ultra moderno (havia o bom e velho pano de fundo com a capa do disco e só), mas com muito profissionalismo: a iluminação foi espetacular e o som não deixou por menos. É isso que se espera de um bom show. Música boa e o resto focado na performance dos artistas. O resto é resto.

“Arms hel out…”

Pena que, para boa parte da imprensa, o Soundgarden nem apareceu no festival. Dividiram-se entre louvar ou espinafrar as novidades. Num mundo em que Muse é um “grande show de rock”, como li por aí, prefiro ficar trancado no underground. Vi o Muse abrir pro U2, foi um bom show, mas daí pra salvar a lavoura vão milhas de distância. Num mundo em que Arcade Fire “levanta a massa com uma performance frenética”, prefiro ficar trancado nos anos 70. Fui ver o Arcade logo depois do Soundgarden e acabei fazendo como grande parte do público: saí dali pra ver o New Order. Façam-me o favor…

O que é a música, né? O público de rock está cada vez mais parecido com o público que o próprio rock, em sua essência, ajudou a combater: branco, reacionário, burguês, elitista e preconceituoso. Mas a música, em si, continua essencialmente libertária, questionadora – só que o rock de verdade está cada vez mais distante da grande mídia. O show do Johnny Marr, antes dos vampiros, comprovou isso também. Esse paradoxo sinistro será abordado por aqui (até por ser uma das coisas que mais roda na minha cabeça), mas não agora.

“You shut your mouth, How can you say I go about things the wrong way? I am human and I need to be loved,  just like everybody else does”

Em suma: a boa música taí. Ouve quem quer. Tem espaço pra todo mundo. Mas todo mundo tem que querer, não basta engolir o que aparece. Os reacionários do rock que me perdoem, mas o rock veio pra confundir, não pra explicar. O rock não veio pra ser religião e nem pra ser a verdade da vida. Veio pra que a gente lute por um mundo menos babaca e menos careta.

“I’m gonna break my rusty cage and run…”

 

Publicado em música, nós | Deixe um comentário