A luz na Luz

Argumento elaborado a partir de exercício de campo.

Mauro, 29 anos, percorria o trajeto entre as estações Júlio Prestes e Luz, em São Paulo, com a correria de sempre. Aquele não era um dia qualquer; afinal, fazia um ano que Mauro voltava às atividades rotineiras sem acompanhamento médico ou ingestão de medicamentos. E era exatamente esta data o assunto entre Mauro e seu velho amigo de trabalho e trajeto, Olavo, 32.

Ao entrar na Estação da Luz, Mauro falava sobre como foram difíceis os primeiros meses sem Roberta, sua ex-esposa: desmaios, crises de pânico, depressão e todo tipo de mal de amor. Mas agora não. Mauro já tinha superado, queria apenas ser feliz. Olavo reforçava as palavras do amigo. Ambos procurando exalar confiança sobre o que viria.

Quando Mauro menciona que esperava até encontrar um novo amor, Olavo não responde: está com os olhos fixos no horizonte e a face ruborizada. Vai diminuindo o passo. Mauro esboça uma pergunta que nem chega a terminar quando vê a razão do susto de Olavo.

Roberta. Numa das plataformas, lá embaixo. Linda, aparenta estar muito feliz. Caminha com um sujeito, conversando alegremente. Os amigos observam até perceberem que Roberta está de mãos dadas com o rapaz, que devolve os sorrisos, palavras e olhares da garota. O trem para, o casal entra e fica abraçado, em pé, dentro do vagão.

Volta para Mauro e Olavo. Este olha para o amigo e pergunta se está tudo bem. Mauro esboça um “tudo certo”. Olavo repete a pergunta. Mauro ri e pede que o amigo fique tranquilo. Olavo fica com tanto medo da reação do amigo que não olha para o caminho, onde há advertência de “piso molhado”. Escorrega, torcendo o corpo sobre o próprio pé e cai, gritando de dor. Não consegue levantar. Mauro chama por socorro, Olavo é levado pela equipe de socorristas ao ambulatório médico da estação.

Olavo é analisado pelo médico plantonista, que recomenda um exame de raios x para descobrir a gravidade da lesão. Já podendo andar, ainda que com dificuldade, Olavo é liberado. Dá-se conta que Mauro não está por ali. Demonstra preocupação. Porém, a procura é interrompida quando Olavo ouve som de risada. Era Mauro. Olavo segue o som das risadas até notar que Mauro estava conversando animadamente com a Enfermeira do Ambulatório, uma bela garota de cabelos castanhos claros e olhos também castanhos. Vendo a cena sem ser visto, percebe que trocaram telefones, olhares e sorrisos. O amigo tinha, realmente, superado toda aquela dor da separação, constata Olavo.

Olavo aparece, Mauro apresenta-o à moça (Sefir é o seu nome). Apresentações feitas, despedidas, e os rapazes dirigem-se até a plataforma. Olavo lembra que não telefonaram para o escritório, avisando do atraso. Pede para que Mauro ligue. Esboçando um sorriso, Mauro fala que esqueceu de propósito o telefone no ambulatório da estação, só para passar lá na volta e conversar mais um pouco com Sabrina. E emenda, sarcasticamente agradecendo a Olavo, que havia visto a luz da sua vida na estação da Luz.

FIM.

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Sobre Rodrigo Cavalcanti

The lunatic is on the grass...
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2 respostas para A luz na Luz

  1. enfermeira que ora se chama sefir, ora se chama sabrina. AHN-HÃ. hahahahahah

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