Tales from the gym

Episódio de hoje: a moça e sua playlist esquizofrênica.

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Navegando pelo Tumblr me deparei com esta foto ontem. E, como muita gente sabe, music is my life. Meu ipod tem DE UM TUDO. De música clássica a punk rock. Então sempre que eu ia correr tava num super pique e de repente me começava uma música nada a ver tipo Photograph do Ed Sheeran, ou Brothers and Sisters do Coldplay, ou ainda Song to the evening star de Wagner. Que eu amo, diga-se de passagem, porém não são as mais animadoras pra uma corrida ou mesmo uma trotada.
Então ontem resolvi montar uma playlist no Ipod (apelidada de workout, rs, muito original). Como meu gosto é BEM variado, coloquei tudo que eu julgava animado pra dar aquela força extra, sem me preocupar com a ordem. Resolvi ir pra esteira ver se esse método realmente vale e se REALMENTE funciona essa coisa aí de 15%. Porque eu sempre ouço música e não tinha nada de “increase endurance”. A esperança era a playlist.

Depois de uma aula maravilhosa de fitball, lá fui eu pra esteira. Como não defini ordem nenhuma, achei mais divertido colocar no aleatório. Aí a primeira música foi Me against the music, da Britney. Sim, eu gosto de Britney. Especialmente a fase final 90 e começo 00. ENFIM. Esse meu treininho na esteira é basicamente oscilar entre trote e corrida. Meu objetivo maior é condicionamento físico, então a playlist tinha que ter ritmo, mas não necessariamente tum ts tum. Brit cumpriu lindamente seu papel e no final da música eu já estava divando na esteira. Depois tocou North Side Gal, JD McPherson. Confesso que essa é a única música que conheço dele. Muito animada, mas me dá vontade de sair dançando e não me mantém no foco da trotada/corrida. Ainda bem que foi rápida. A partir daí rolou Guns (Paradise City), LL Cool J (Momma said knock you out), Eminem (Lose yourself), Mark Ronson (Uptown Funk), aí eu meio que desanimando, de repente Theeeeeeeee Troooooooper. Sim, fiz bola de fogo. Sim dei balançadinha de Bruce e SIM, pedi a voz pra galera. Mas discretamente (ainda). Quando acabou The Trooper eu já tava morrendo. Aí veio Lorde (Royals) e o trote foi bem delicinha, emendando com Stronger da Kelly Clarkson (what doesn’t kill you makes you stronger fez muito sentido). Enquanto eu começava mais um trote e ponderava se acabava ali ou se dava pra dar mais uma corridinha começa Survivor: Eye of the tiger: “Risin’ up, back on the street / did my time, took my chances /  went the distance, now I’m back on my feet / just a man and his will to survive” e eu me senti o Rocky Balboa e pensei “‘BORA, THAÍS”. Porém quando ainda faltava 30 segundos para o fim da corrida e eu não tinha mais perna, a música acaba, eu me desespero e então começa o que?? O que?? COMMANDO! Sim, sim. Ramones! E aí o que acontece, amigos? Acontece que eu perco as estribeiras. Continuei correndo durante toda a extensão da música e, de olhos fechados, perdi a noção de onde estava. E com o volume dos fones no máximo, perdi o controle do volume da minha própria voz. E, SIM, quando percebi estava fazendo o Joey Ramone e, apontando para ~o público~ “first rule is: the laws of Germany, second rule is be nice to mommy”. And so on. Quando me dei conta os 30 segundos de agonia tinham virado 1:22 de pura diversão (talvez não para as pessoas na esteira ao lado).

Resumo da ópera: Não sei se chega a 15%, mas que ajuda pacas uma playlist dedicada, isso ajuda. E, se faltar perna, sempre haverá Ramones.

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As personagens e a verossimilhança na TV

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“I’m not crazy! My mother had me tested!”

Eu gosto (muito!) de séries. Enlatados americanos mesmo. Comédias pra o tempo passar, nada muito reflexivo ou que demande um acompanhamento xiita da coisa. Gosto porque gosto e pronto. Mas aí, toda vez que falo isso (e ainda mais sendo professor de literatura – sarcasmo mode on), algum militante da causa Brasil me interpela com algo do tipo:

“Mas como você gosta desse produto americano e não suporta novelas (ou séries) brasileiras? É quase a mesma coisa.”

Eu poderia partir desse “quase”, mas nem isso: não são nem de perto a mesma coisa. E o problema não é a história ou falta delas, pra mim; nem de roteiro ou falta dele. O problema é a questão da verossimilhança. Verossimilhança?

“A verossimilhança se assemelha à verdade mas não se confunde com ela, representando antes a vontade da verdade do que a verdade mesma. (…) nunca temos acesso à verdade completa, logo, a verdade é sempre não-toda. Entretanto, o fato de não termos acesso pleno à verdade não diminui a nossa vontade de sermos verdadeiros e a intensidade da nossa busca pela verdade.”

(BERNARDO, Gustavo – Revista Eletrônica do Vestibular, UERJ – Ano 3, n. 9 – 2010)

“A obra de arte, por não ser relacionada diretamente com um referente do mundo exterior, não é verdadeira, mas possui a equivalência da verdade, a verossimilhança, que é característica indicadora do poder ser do poder acontecer.” 

(D’ONOFRIO, Salvatore. Teoria do texto (vol. 1). São Paulo: Ática, 1995 – p. 21)

Retomando: o caldo engrossa no “poder ser”, no “poder acontecer”. As novelas e as séries brasileiras, de modo geral, são inverossímeis pra mim. Por quê? Ora, com personagens essencialmente maniqueus, não dá pra acreditar. Seres humanos são complexos demais pra serem simplesmente “bons” ou “maus”. Mocinhos ou bandidos, heróis ou vilões. Falta complexidade, sobra superficialidade. E que fique claro: este post não discute, em momento algum, a qualidade das obras citadas. Apenas expõe um ponto de vista sobre a construção das personagens. Mas enfim, personagens maniqueístas morrem de inanição.

Maniqueístas?

ma·ni·que·ís·ta
(maniqueu + -ista)

adjetivo de dois gêneros

1. Relativo ao maniqueísmo.

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

2. Que ou quem é partidário do maniqueísmo.

3. Que ou quem concebe a realidade sob um ponto de vista dualista, com dois princípios opostos.

“maniqueísta”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/manique%C3%ADsta [consultado em 14-09-2015].

Isso quando não são essencialmente caricatos – inverossímeis, portanto. E que note-se: “exagerado” não é, necessariamente, sinônimo de “caricato”. Uma boa comédia pode sim exagerar no tom da personagem, mas sem retirar-lhe a verossimilhança. Ele pode ser um exemplo exagerado, porém factível (o Sheldon Cooper, magistralmente composto por Jim Parsons em Big Bang Theory, ou mesmo o Joey Tribbiani de Matt Le Blanc em Friends, encaixam-se aqui).

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“How you’re doing?”

Nos Brasucas, o Agostinho Carrara de Pedro Cardoso em A Grande Família e mesmo o casal Rui (Luis Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) em Os Normais são exemplos pertinentes de êxito neste sentido.

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“Calma, Bebel!”

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Normais só no nome. Exagerados, porém verossímeis.

Caricato?

ca·ri·ca·to

adjetivo

1. Ridiculamente risível.

2. Ridículo, burlesco, irrisório.

substantivo masculino

3. .Ato que nos dramas tem o papel de ridiculizar.

“caricato”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/caricato [consultado em 14-09-2015].

Tosco, enfim. É só recapitular as novelas: os mocinhos são ingênuos até o limite da estupidez. Acreditam piamente no ser humano, têm valores bem definidos, são totalmente do bem. E os vilões? Intrinsecamente maus até o limite da loucura – não por acaso, via de regra acabam presos, internados ou mortos. Não há dualidade possível, portanto aquilo NÃO PODE SER. Ou você aí conhece algum ser humano que é UMA COISA SÓ o TEMPO TODO? O ser humano é contraditório, o ser humano é múltiplo. Ama e odeia. Compromete-se e manda dizer que não está. Quando algum personagem carrega minimamente nesta questão, acaba sendo reconhecidamente mais atraente (o Tufão, interpretado por Murilo Benício na novela Avenida Brasil, é um exemplo que me vem). Nesta mesma novela, a vilã (Carminha, Adriana Esteves) apostava toda sua carga num teatro que enganava o marido, como boa esposa, e entregava-se loucamente ao amante conspirador. Uma vez desmascarada, atirou-se num precipício de ódio que desvalorizou a personagem, tornando-a ridiculamente risível.

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Tufão e Carminha são personagens interessantes e de fácil contextualização, pra fins de estudo

Acredito mesmo que este seja um defeito recorrente na teledramaturgia brasileira. Falta alguém que escreva uma personagem sem achar que tem que ser didático, ou sem achar que esteja escrevendo para idiotas. O contraditório alimenta o drama, o contraditório faz a gente pensar e querer mais. Não à toa, a audiência das novelas vem despencando ano após ano. A crise não é de ideias, a crise é de pessoas. No caso, personagens.

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E o Iron Maiden dominou o mundo, mesmo o mundo não querendo o Iron Maiden…

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Quem me conhece, pessoalmente ou pelo blog, sabe o quanto eu gosto de Iron Maiden. E o quanto ouvir esses caras (e o metal em geral) abriu a minha cabeça, desmentindo o estereótipo de “quem ouve heavy metal tem a cabeça fechada” – ou ainda: se as pessoas têm a cabeça fechada, que culpe suas próprias cabeças, corações, mentes ou criação, não a música. Divago e fujo, não é sobre isso que quero falar aqui. Mas retomo.

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A parede de cordas!

A despeito de toda a má vontade da crítica e até da indústria musical, o Iron Maiden venceu. Ganhou do sistema por dentro. Consegue ser uma banda plenamente “independente” (no que pode-se chamar de independente no século XXI): grava o que quer, toca onde quer, lança o que quer. Encarou profissionalmente seu gerenciamento, distribuiu funções e dá uma banana pra toda essa babaquice que virou o mundo da música neste tosco século XXI.

Ou seja: não é besteira dizer que o Iron Maiden dominou o mundo, mesmo o mundo não querendo uma banda como o Iron Maiden. Músicas longas? Solos de guitarra? Duetos de guitarra? Referências históricas? Um personagem em vez de a imagem dos músicos? Como encaixar esses caras num mundo onde “likes” e mídia sobre roupas e “bafos” imperam? Uma banda que nunca “flertou” com nada (você nunca lerá algo como “Iron Maiden flerta com batidas eletrônicas em novo disco” – GRAÇAS A DEUS!). Enfim, os caras seguem ganhando terreno do jeito deles, sem ceder um milímetro.

Steve Harris, o big boss, mantém-se ativo na estrada com seu projeto “British Lion”. Lançou um disco mediano, cai na estrada vez ou outra sempre lotando gigs e tá felizão: botando um monte de gente tocando com ele, envolvido em fazer o lance de música girar mesmo – poderia, facilmente, estar curtindo e contando grana em casa. Os guitarristas, cada um à sua maneira, segue envolvido com música: compondo, envolvido com a criação ou lançamento de algum modelo ou equipamento: seja Dave Murray em parceria com a Fender, Adrian Smith customizando e lançando suas Jackson ou Janick simplesmente usando as Sandberg. Mesmo Nicko empreendeu o tal “Rock and Roll Ribs – where BBQ meets METAL”, haha… Enfim, a turma expandiu.

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O homem, o mito.

Bruce Dickinson é um parágrafo à parte: escritor, piloto de avião, esgrimista, estudioso da história (e da história da aviação em particular) e executivo de aviação. Não entra em negócio algum pra brincar, como percebe-se. Juntos, todos, também não brincam: entraram no ramo da “cerveja estilizada” lançando a Trooper Beer (fato esse que virou febre geral – o que me provoca risos ao lembrar de como amaldiçoaram quando o Sepultura lançou sua DELICIOSA cerveja Weiss), dinamizaram o conceito de “loja online” com uns petiscos tentadores pra quem é fã, viabilizaram o próprio avião, para que possam alternar sucessiva turnês mundiais em que reverenciam a própria história com turnês mundiais de álbuns no mínimo muito bons.

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Cheers!

E é aqui o ponto principal. No autêntico modelo old school, pro Iron Maiden (e pros fãs), de nada adiantaria toda essa perfurmaria se a música não fosse boa. E ela é boa pra caramba. O Iron Maiden reinventou-se como uma fênix e hoje é, ouso dizer, ao lado dos Rolling Stones, do U2 e do AC/DC, das poucas bandas que estão acima do estilo que as consagrou. Que pode fazer (e faz!) apenas o que quer. Todas as citadas aqui, TODAS, têm mais benevolência da mídia do que o Iron Maiden. Goste ou não, meu amigo, a verdade é essa: o Iron Maiden venceu o sistema por dentro!

Eu tava aí! O momento em que a fênix renasceu, daqueles que marcam uma vida…

O sistema quebrou os Beatles, o Metallica, os Ramones, o Sepultura, o Sex Pistols, o Nirvana, o Led Zep, o Who, o Bon Jovi, o Deep Purple, o Van Halen – pense em alguém realmente grande: o sistema, essa entidade abstrata, quebrou em algum momento e obrigou esses caras a parar ou trabalhar em outro patamar, as vezes até com outras pessoas. Bandas como Slayer, Motorhead, Rush e mesmo o Pearl Jam, que também estão aí firmes desde sempre, optaram (a meu ver) por ser mais à margem – e nunca chegaram no patamar das citadas, seja em vendagem ou concertos ou turnês.

E o disco acaba assim…

Mas já fujo de novo e volto: o ponto que deixa muita gente atordoada, inclusive fãs, é que o Iron Maiden não lança disco sequer razoável desde quando Bruce e Adrian voltaram em 1999. Brave New World, o marco do renascimento, é excelente. Marca a banda com um pé definitivamente no progressivo, com uma musicalidade e uma dinâmica que deixou muita gente perdida. O trabalho de guitarras ainda essencialmente conservador, uma mixagem que derrubou o baixo marcante de Harris, mas ainda assim um baita disco. A produção de Kevin “Caveman” Shirley, amada OU odiada, sem meio termo, fez a banda evoluir. O que Martin Birch fez a partir do Killers, Shirley fez a partir do BNW: colocou o som da banda em outro patamar. A intro arrasa quarteirão com Wikerman, Ghost of Navigator, Dream of Mirrors, Out of Silent Planet, Thin Live Between Love and Hate… Ah, fala sério!

Dance of Death foi o disco de 2004. Pra mim, o mais fraco da volta. E olha que tem Rainmaker, Paschandale, o arpeggio pesadíssimo de Montsègur e a estupendamente cênica faixa título, daquelas coisas que só um Iron Maiden poderia fazer sem soar piegas. E uma coisa que pouquíssimas pessoas perceberam: o Iron Maiden apegava-se à conceito de álbum sem necessariamente lançar um álbum conceitual, musicalmente falando. Se a questão do descobrimento e do mundo era o mote em BNW (navegadores, nômades, viagens espaciais), a teatralidade veio forte como nunca neste DoD. Bruce vestido de militar em Paschandale ou com a capa da morte na faixa título, nos shows. A capa com as máscaras de teatro. Até o bis com a acústica Journeyman, todos sentadinhos e Bruce com a toalha nos ombros tipo “tá, volto do camarim pra cantar mais essa e acabamos todos felizes”.

Porque quem sabe faz ao vivo! (ugh!)

O mundo, o teatro. Então 2006 mostrou a religião e a guerra, num dos meus discos favoritos da Donzela: A Matter of Life and Death, este praticamente conceitual em termos musicais também. Finalmente as 03 guitarras atingiram a maturidade: pesadas quando precisam ser, discretas quando precisam ser. As músicas quebram e, se com BNW a banda fincou um pé no prog metal, aqui ela coloca o outro. Mudanças repentinas de andamento, violões, solos: a coisa ficou bem resolvida e se destacou.

Bruce finalmente deixa uma das características que mais me desagradavam desde a volta: a insistência em tons altos. Sacada magistralmente explícita na rápida, pesada e alegre Different World, que abre o disco: os versos cantados em tom alto, e a descida que desnorteia no refrão. A parede de guitarras em Brighter than a Thousand Suns, as viajantes These Colours Dont Run e The Reincarnation of Benjamin Breeg (quem lança uma doideira dessas de single em plena era do “tudo rápido em tempo real”?). As quebradas pesadíssimas em Lord of Light e Longest Day, as palhetadas em Greater Good of Good. Nicko, sempre menosprezado pelos “gênios” da mídia especializada, brinca durante o disco: os paradiddles, os contratempos, as levadas, aquele pé absurdamente rápido e preciso…

Final Frontier, o espaço sideral, 2010. Rapaz, como escuto esse disco hoje em dia. Aliás, escuto-o agora, enquanto escrevo. Um Maiden que sempre busca ir além sem perder a sonoridade que o fez ser o que é: a intro Satellite 15, como um recado à nave mãe, que resolve-se na intro da faixa título, escancarando uma das maiores influências dos caras: Deep Purple. Como essa música me remete à fase Steve Morse do Purple! E nesse disco algo que sempre deveria estar explícito no Maiden ressurge com força total: o maravilhoso baixo Fender do senhor Steve Harris. Marcando a levada, caminhando com os caras, berrando um “estou aqui, p#rra!” 30 anos depois do primeiro disco. Que maravilha!

Até a velocidade, que andava rareando, volta lindamente – escute Talisman, o single El Dorado ou mesmo Alchemist e veja se estou errado. Mas o grande destaque do disco (conceito, rapaz! Conceito!) são as viagens “space rock” dos caras: Isle of Avalon arrisco dizer ser a coisa mais diferente feita pela banda até então. A dobradinha soberba que encerra o disco, The Man Who Would Be King e a belíssima When the Wild Wind Blows, ilustram bem a história. Até a balada da vez, Coming Home, é belíssima, com um trabalho estupendo de guitarras.

Engraçado é que tive o insight pra escrever este post ouvindo o novo da banda, The Book Of Souls. Pra mim, por enquanto, uma obra prima. Empolgação de fã ou ouvido apurado, só as audições vão dizer. E não vou escrever nada sobre este disco, por que quero fazer um texto inteiro sobre ele, que merece. E também porque não quero escrever sobre um disco que ouvi uma ou duas vezes, como parecem fazer certos veículos de comunicação: opinam com uma ouvida superficial num disco com mp3 comprimido, sem qualidade alguma. Comigo não, violão. Aqui é Up The Irons.

Ou, como dizem nos encartes de algum tempo pra cá: COME ON YOU, IRONS!

 

PS: escrevi este texto na exata duração do Final Frontier… When Wild Wind Blows acabou de acabar…

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Insônia, impressões, Stephen King e Ramones. E sobre estar de volta.

LONDON, United Kingdom:  US author Stephen King is pictured at a press conference in London, 09 November 2006, as he prepares to launch his new book 'Lisey's Story.'  Horror author Stephen King said Thursday he was "the most relieved man" when he heard that United States President George W Bush's Republicans had suffered damaging defeats in mid-term elections. "Until yesterday, the most scary thing in the world for me was George W Bush," King told an audience in London, where he is promoting his new book, "Lisey's Story. " AFP PHOTO /BERTRAND LANGLOIS  (Photo credit should read BERTRAND LANGLOIS/AFP/Getty Images)

And the night when the wolves cry out…

E não é que cá estou escrevendo um post pro Jardim da Babilônia? Pensei muito sobre esse troço de blog (mentira, nem pensei taaanto assim) e acabei mantendo pra, vez em quando, descarregar um pouco o que assola essa tosca cabeça. Sigamos…

Engraçado como a gente sofre pressões muitas vezes impostas por nós mesmos sem sequer perceber. Explico. Fui, formalmente falando, professor de literatura de 2009 a 2014. E cada minuto do meu tempo era dedicado à leitura de clássicos, obras para indicação de leitura em sala ou mesmo livros sobre/de crítica literária, pra tentar (a-ham) enriquecer a sala de aula, ir além dos livros didáticos ou paradidáticos. Nesse embalo frenético, deixei de lado algumas paixões como quadrinhos, suspense, terror, literatura contemporânea, coisas menores para um professor dedicado ao ofício.

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Massaud Moisés, brother de muitas noites

Que idiota! Claro, acredito mesmo que cumpri muito bem a minha missão no aspecto “ensino”. Mas deixei passar tanta coisa bacana. Não precisava ter me colocado (mais) esse peso. Com meu ritmo de leitura, dava pra ter lido de tudo sem pirar com nada – mas fazer as coisas sem mergulhar loucamente de cabeça nunca foram uma especialidade da casa. Então teve que ser assim e foi legal que tenha sido. Mas não precisava ter sido assim, sacou?

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Crumb foi um que voltou sem nunca ter saído

E eis que volto pro tema. Desde o fim de 2014, quando me vi sem ocupação formal com o ensino de literatura, libertei-me. Voltei pra leituras que sempre amei, continuei com alguns que descobri e mantive os de sempre. Devorei quadrinhos como nunca (agora, aqui, penso até em publicar impressões separadas sobre algumas coisas bem lindas que li), devorei contos, devorei autores “não acadêmicos”, poesia marginal, poesia urbana, grafite… E num belo dia, fuçando uma livraria, me dei conta que não possuía um livro sequer de um dos meus autores favoritos: Eu não tinha nada do Stephen King!

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Boo!

Já tinha lido alguns contos, já vi inúmeros filmes baseados em seus escritos. Mas LIVRO mesmo eu não tinha nenhum. Ato contínuo, lá fui eu garimpar. Queria uma coisa nova (embora tenha babado com a seleção de contos que viraram filmes, “Sombras da Noite”, ou mesmo a série de ensaios com suas impressões sobre o terror na literatura e no cinema, “Dança Macabra”), que não conhecia. Vi a série “A Torre Negra” e achei interessante ler. Mas queria ter certeza que iria encarar (são oito livros, alguns beeeeem grandinhos, e não sou de começar e parar leituras). Até que dei de cara com este Insônia (ed. Objetiva / Suma de Livros, 704 páginas). Funciona como espécie de “prólogo” pra Torre Negra ao mesmo tempo em que é uma história autônoma. E bem interessante.

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Os delírios de Raplph Roberts e as elucubrações Del Rover

Aquele jeito “Stephen King” de contar histórias a gente reconhece de cara. Detalhes aparentemente sem sentido, que tornam a narrativa até arrastada – mas que você sabe que serão decisivos lá na frente. Quando você vê, já passa das 100 páginas e vai indo sem se dar conta, tragado. Que delícia de leitura. Sem mesuras, sem frescura, sem peso. A leitura que eu gosto: prazerosa porque me faz bem. A leitura que me faz querer mais. A leitura que fez muito do que eu sou.

Olá, senhor King. Senti saudades…

Ramones e Stephen King. Mais uma das coisas que o rock and roll me deu… Essa cena inicial do com a música é antológica, pra mim. Taí, preciso rever esse filme…

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San Diego

Ficamos muito pouco tempo em San Diego. Chegamos no fim da tarde, ficamos dois dias inteiros e fomos embora logo cedo no outro dia. Dá pra ficar mais, claro. Conheço pouco da cidade, mas devo dizer que San Diego me deu o por do sol mais lindo desta vida. E olha que essa viagem foi um festival deles. Mas o por-do-sol de lá não acaba quando o sol se põe. As fotos dizem mais do que eu poderia escrever. Vejam. É de cair o queixo.

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Essa praia estava bem fedidinha. Coragem dessas pessoas, viu?!

Essa praia estava bem fedidinha. Coragem dessas pessoas, viu?!

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Solzinho dourado beijando o rosto da gente <3

Solzinho dourado beijando o rosto da gente <3

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San Diego – o trailer

Da Big Sur, tiramos uma noite em San Luis Obispo, passamos o dia em Santa Barbara e de lá fomos pra Valência pra gastar um dia no Six Flags – Magic Mountain (amor eterno). Depois dessa aventura, rumamos a San Diego. Como nosso voo de volta saía de Los Angeles, achamos que seria mais produtivo passar por Los Angeles e ir direto pra San Diego e depois ja ficar direto por lá.

A cereja do bolo nessa viagem foi um trailer charmosíssimo que alugamos pelo Airbnb. Como muita gente ficou curiosa depois que publiquei a foto no instagram, decidi fazer um post sobre ele.

Primeiro, ele é super fotogênico. Segundo, é um trailer anos 50. Só por essas duas razões eu já estava de peito aberto para essa experiência. A cama é apertada? É. Fazer as necessidades num banheiro minúsculo é inconveniente? Sim. Tomar banho sem mexer o braço e com água quente limitada é complicado? Bastante. (eu tinha q tomar banho ligeiramente curvada. E eu tenho 1,60 de altura. RISOS). Mas a experiência foi ótima e eu repetiria numa boa. A localização da casa também é boa e eles deixam duas bikes para uso dos hóspedes. Como nosso tempo era limitado e a cidade bem grande, acabamos não aproveitando, mas é uma ótima. A California inteira é bem bike friendly (menos LA, claro).

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Highway 1 – o filé

O filé dessa mítica Rota 1 é a Big Sur. Point Lobos é a “entrada” dela. Depois disso ela vai ficando mais linda a cada segundo. É de fazer chorar de tão linda. De Point Lobos seguimos para O Julia Pfeiffer Burns (tem dois parques com o nome parecido, mas esse é o que tem a tal da cachoeira que cai na praia, e foi o lugar escolhido para o “sim” 💍). No meio do caminho praias lindas, paisagens de tirar o fôlego, pontes históricas, e tudo o mais. Paramos em quase todos os vista points no meio do caminho. Só não paramos em todos porque calculamos mal o nosso tempo. Acabamos acordando tarde pra pegar a estrada (vai chegando o fim da viagem e o corpo vai ficando cada vez mais cansado), demoramos mais do que esperávamos em Point Lobos e ignoramos o fato de o sol estar se pondo antes das 17h. Resultado, fizemos a parte mais bonita da viagem em uma certa correria. Mas enfim, valeu a pena. BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-1 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-2 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-3 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-4 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-5 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-6 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-7 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-8 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-9 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-10 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-11 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-12 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-13 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-14 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-15 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-16 BlogJardimDaBabilonia - Big Sur-17

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Point Lobos

Vamos ao lugar mais mágico da viagem. Point Lobos.

Enquanto fazíamos o roteiro, Point Lobos nem passou pela minha cabeça. Não vi muita gente falando sobre, o que via era só sobre trilhas e me diziam que uma visitinha rápida seria suficiente. Não posso começar a dizer o quanto esse lugar me surpreendeu. A felicidade extrema que eu senti nesse lugar (e o melhor ainda estava por vir, hehe). A conexão com a natureza. O sentimento de pertencer a alguma coisa.

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PS 1: Como acho que deu pra perceber, namorido tirou a maioria das fotos deste post. Eu estava concentrada na analógica e em não perder um só segundo. =]

PS 2: Pra ver todos os posts sobre a California, é só clicar aqui. 

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Stardust

Eu nunca acreditei nessa coisa de gente que ama MUITO cada semana uma pessoa diferente. Dizem que é gente que vive intensamente a vida, mas sei lá. Eu amo intensamente a mesma pessoa há 15 anos, isso me faz menos interessante? Eu cheguei a achar que tinha problemas, mas hoje vejo que não. Talvez seja sorte. Enfim. O fato é que nego troca juras de amor, fica noivo, as vezes até casa e 2 meses depois está fazendo juras de amor pra outra pessoa. Até cansar e começar tudo de novo. Tenho amigos(as) que em coisa de 6 meses tiveram umas 4 namoradas(os). E sempre é o mesmo tipo de declaração “como vivi sem você”, “esperei minha vida inteira pra te encontrar”, “o destino nos uniu”. Okay. Eu torço muito felicidade dos meus amigos, claro, só acho que alguns deles deveriam se tratar.

O mesmo, pra mim, acontece em relação a religião. Há uma senhora que vive nas redondezas, que a cada conversa descubro que ela está envolvida em uma nova religião. Quando eu era criança, ela era fervorosamente católica, do tipo que acorda 5 horas da manhã pra limpar a igreja (aliás, tão católica que matava os gatos da rua). Depois de um tempo, acredito que por causa de uma morte na família, converteu-se ao espiritismo. E acreditava piamente em vida após a morte, e chegava a conversar com o morto em questão. Anos depois, descobri que ela frequentava a Maranata. Renegou Virgem Maria (santa da qual, pelo que me lembre, ela era devota). Dizia que Jesus cura tudo e “pela benção e graça do senhor” a gente tinha saúde. Era a melhor igreja do mundo, o pastor era mais família que a própria família. Acordava cedo, limpava a igreja antes do culto, entoava os cânticos pela rua, etc e tal. Aí uns dias atrás, ela veio em casa. Dizendo que era todo mundo falso naquele lugar, que ninguém dava bom dia, que ela tomou bronca do pastor porque rezou em voz alta e foi humilhada. E que, agora, ela se descobriu na Igreja Universal. “Pela honra e glória do senhor.” Renegou, também, tudo que aprendeu na Maranata. Porque, de acordo com ela, na Universal “eles curam tudo. Você tem que ver. É batata, só seguir o que eles falam.”. É uma facilidade  pra acreditar/desacreditar em qualquer coisa, desde que seja conveniente.

Às vezes eu penso que gostaria muito de ser assim. Deve ser uma vida mais fácil. Acreditar que tudo tem um porquê, que “Deus tem um plano pra você” (mesmo que ele não tenha um plano para as pessoas que morrem diariamente na Guerra da Síria, mas de boas, quem se importa?!), que o pastor vai te curar do teu vício em nicotina porque Jesus pôs a mão sobre o ombro dele (o que ele achou bem mais produtivo do que pôr a mão sobre o ombro das crianças que estão morrendo de fome na África), achar que Jesus abençoou o atacante do Vasco que simulou o penalty (palavras do próprio, ao final do jogo) enquanto em algum lugar da Índia (nem precisamos ir tão longe, isso acontece aqui diariamente também) provavelmente alguma mulher era estuprada. Enfim, achar que você é o centro do universo. Meu complexo de inferioridade não me permite ter essa certeza. Pra mim eu sou apenas uma poeira cósmica, vagando pelo universo, tentando fazer a minha vida valer a pena.

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17-mile Drive

Dentro da Highway 1 tem um outra estradinha fofa que fica dentro de um condomínio. Quando eu digo fofa, eu quero dizer fofa mesmo. Tudo parece feito a mão na estrada. As gramas são perfeitamente cortadinha, as árvores aparadas, as pedras milimetricamente ajustadas uma ao lado da outra. Nesse dia o tempo estava super nublado, bem feio, só dava pra sair do carro, tirar foto e voltar. Um sereno gelado caía e ainda por cima bastante vento e nem um raio de sol sequer. Mas quem tá na chuva é pra se molhar e quem está de férias tem que aproveitar. No matter the weather.

Você entra na 17-mile Drive por Monterey e sai em Carmel-by-the-sea. Logo na entrada da cidade tem a famosa igrejinha. Tentei entrar, mas tinha que pagar taxa e, por princípios, eu não pago pra entrar em igreja nenhuma. Tirei essa foto do lado de fora e, pra mim, foi suficiente.

Depois andamos pelo centrinho de Carmel (e eu deixei a câmera no carro, sorry). É tudo muito, muito bonitinho. Galerias e mais galerias, bistrôs e muitos ricos e famosos pelas ruas (embora eu só tenha visto ricos, nenhum famoso, haha). Mas vale conhecer.

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A famosa “Lone Cypress”. Essa árvore aguentou de tudo e continua firme e forte. Como não amar?

A famosa “Lone Cypress”. Essa árvore aguentou de tudo e continua firme e forte. Como não amar?

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Carmel Mission

Carmel Mission

Para informação: – Para chegar na 17-mile, você passa por uma portaria e paga 10 USD (o valor é por carro). Eles te dão um mapinha com as principais “atrações” (os vista points, como a Lone Cypress, por exemplo).

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